segunda-feira, 12 de junho de 2017

Escrita criativa

Numa ilha deserta




Um dia, numa chuvosa e aborrecida manhã de inverno, o tempo apanhou de surpresa o jovem Moreira, que caminhava sussurrando na rua dos Clérigos, no Porto, uma rua coberta pela escuridão da manhã e a humidade da chuva.

De repente, o vento abriu a boca, soprou, soprou e soprou... o seu poder era tão forte que o levou pelo ar. Muito assustado, ele gritava sem parar, enquanto passava por cima dos telhados das casas. As nuvens choravam continuamente e as sua lágrimas encharcavam as roupas de seda do pobre homem. Foram minutos e minutos, horas e horas a voar nas asas do vento Norte. Lá em baixo, nas entradas dos prédios, viam-se tamanhos mares de água. O viajante passou por muitas cidades, até que o vento parou de soprar e as nuvens de chorar. Foi então que, de repente, ele caiu numa camada de areia macia, fina e límpida. Estava numa ilha, a salvo da chuva e do vento. Com enorme entusiasmo, saltava de alegria! No entanto, um pensamento veio perturbar aquele momento de felicidade: não sabia onde estava e não tinha como voltar. Além disso a sua roupa estava molhada.

Procurou acalmar-se: tudo se havia de resolver! Começou a andar e viu palmeiras cheias de fruto, um lago de águas cristalinas e um tronco enorme que lhe poderia servir de abrigo. Pôs a roupa a secar, bebeu daquela água e comeu uns cocos que encontrou. E, quando já se preparava para ali ficar, avistou ao longe um barco que o levaria de regresso a casa.


                                                                                               Maria Stela Fernandes, 5.º B

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