sexta-feira, 10 de outubro de 2014

saber, para bem viver

a propósito do dia [10 de Outubro Dia mundial da Saúde Mental]




Comemora-se hoje dia 10 de outubro de 2014 o 22.º aniversário do Dia Mundial da Saúde Mental. A criação desta efeméride pela Federação Mundial para a Saúde Mental (FMSM) tinha e tem por objetivo crucial centrar a atenção pública na Saúde Mental global. De acordo com a FMSM é de extrema importância a valorização da Saúde Mental, a satisfação das necessidades específicas das pessoas com doenças mentais e a eliminação do estigma social de que muitas vezes são alvo os doentes identificados como sendo portadores de doenças mentais uma vez que, continua muito enraizada a ideia de que, doença mental significa deficiência mental!
Também as Nações Unidas e a Organização Mundial da Saúde consideram a Saúde Mental como uma das prioridades em saúde, ocupando os lugares cimeiros nos desafios das ações a desenvolver. Curiosamente, é nos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento, que as doenças mentais apresentam uma expressão maior, com uma incidência crescente e sem previsões de melhoria, a tal ponto que, nesses países, este tipo de doenças se tem vindo a tornar num verdadeiro problema de saúde pública.
Segundo dados mais recentes, Portugal é o país da Europa com maior taxa de prevalência de doenças mentais. De acordo com o último estudo epidemiológico efetuado em Portugal da responsabilidade do Prof. Doutor Caldas de Almeida (ex-coordenador da saúde mental) a prevalência de doenças mentais em Portugal era de cerca de 22,9%, muito próxima da dos EUA que é das mais altas do mundo – 26,4%.
As perturbações mentais mais frequentes no nosso país são a ansiedade e a depressão.
 Segundo a Organização Mundial de Saúde a depressão será, em 2020, a segunda causa de incapacidade no mundo e em 2030 deverá posicionar-se no 1º lugar do ranking das doenças, que é atualmente ocupado pelas cardiovasculares. 

Curiosamente a partir de revolução industrial e graças a ela, existe uma nítida melhoria das condições de vida dos humanos que se traduz por uma menor taxa de mortalidade e uma maior longevidade graças ao desenvolvimento económico.
Contudo, é nos países mais desenvolvidos que a incidência de doenças mentais é maior!
É estranho que a melhoria da componente somática não esteja associada a uma idêntica evolução da parte mental!

Mas que razões podem justificar tal desfasamento? Será que a inteligência dos humanos (superior à de qualquer outro animal) tem sido utilizada em prole da sua felicidade?

Se a mente está doente a que se pode dever esse mau estar?

Numa altura em que o emprego é instável e tende a ser precário, se gasta mais do que se ganha, se vive acima do que se pode, se ambiciona de forma desmesurada, se valoriza mais o ter do que o ser, se dá mais valor ao estatuto do que à amizade, se valoriza o prazer imediato sem pensar nas suas consequências, se procura viver o hoje de forma intensa e prazerosa porque o amanhã pode nem chegar, se procura satisfazer todos os desejos imediatos opondo-se a qualquer tipo de disciplina… Numa altura em que até o dormir e o descansar é quanto e quando se pode e não quanto e quando se deve, como pode a mente não estar doente?


No sentido de poder ajudar os jovens a crescer de forma mais saudável foi criado por uma equipa da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra o projeto “(+) Contigo”, cujos objetivos se centram na promoção da saúde mental.
Com a concretização deste projeto pretende-se que, através da realização de algumas atividades, os alunos desenvolvam as suas competências pessoais e sociais, aumente a sua resiliência, seja promovida a sua autoestima e autonomia e seja feita a prevenção de comportamentos de risco. Com esta intervenção pretende-se criar um clima de escola amigável, combater o abandono e exclusão escolar e promover a equidade entre os alunos.

Por reconhecer a importância deste projeto para a saúde mental da comunidade escolar a equipa do PES, com a devida autorização do Diretor do Agrupamento, candidatou os alunos do 10º ano da escola secundária e os do 9º ano da EB 2,3 a este projeto, candidatura essa que veio a ser aceite.

Assim, irá decorrer no dia 5 de Novembro, na Escola Secundária e no dia 12 de Novembro na Escola EB 2/3, uma formação para encarregados de educação, professores e assistentes operacionais, promovida por uma equipa da Escola Superior de Enfermagem. Esta formação tem por objetivo dar a conhecer o projeto a todos os que de forma mais direta lidam com os alunos que nele vão participar, de forma a torná-los parceiros nessa mesma formação. A partir de Janeiro, será a vez dos alunos receberem formação através de 4 sessões de 45 min formação essa que é dada por duas Enfermeiras do Centro de Saúde Cantanhede.

É desejo da Equipa do PES que este projeto possa vir a ter continuidade e que ele possa de facto contribuir para a saúde mental dos alunos, pais, encarregados de educação, assistentes operacionais e professores.


Pela Equipa do PES – Julieta Marques

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Conhecer o passado, pensar o presente

Conhecer o passado, pensar o presente

"Que pretendia o movimento republicano?
Naturalmente a República. Mas não mais do que isso e a mudança de pessoal e de estilo político que daí resultaria. A República era uma aspiração, não um projeto programado."


Saraiva,J.H.(2001).História concisa de Portugal. Mem Martins: Publicações Europa-América.



Antecedentes da revolução Republicana de 5 de outubro de 1910


Durante as últimas décadas do século XIX notava-se, por todo o país, o aumento do descontentamento da população. A maior parte  do povo português continuava a viver com grandes dificuldades.
Assim, apesar do desenvolvimento industrial verificado na 2ª metade do século XIX, grande parte da população portuguesa continuava a trabalhar na agricultura, as fábricas localizavam-se sobretudo nas regiões de Lisboa e Porto, o país  continuava a ter grandes dívidas, a grande parte da população vivia mal e os sucessivos governos da monarquia liberal nunca se mostraram capazes de melhorar as condições de vida da população. É com o intuito de fazer alguma coisa que pudesse pôr fim a estas situações, que em 1876 se formou um novo partido, chamado "partido republicano" que propunha substituir a Monarquia pela República. Os republicanos achavam que não devia estar um rei  à frente do país, porque  muitas vezes não tinhas as capacidades necessárias para poder exercer um cargo tão importante, mas sim um presidente eleito pelos portugueses e que governasse só durante alguns anos. Os republicanos consideravam que a forma de governo do país tinha de ser alterada para uma República.
A agitação política e as manifestações populares contra a monarquia não terminaram. Assim, a 1 de Fevereiro de 1908,  acontece em Lisboa um atentado contra a família real, onde são mortos o  rei D. Carlos  (regicídio)  e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe I.
Regicídio 

Devido à  morte de D. Carlos e do príncipe herdeiro, o rei D. Manuel II subiu ao trono apesar de ter apenas 18 anos. D. Manuel II procurou o apoio de todos os partidos monárquicos, no entanto,  não conseguiu que os defensores da República desistissem da ideia de acabar com a Monarquia em Portugal.
A revolução tornava-se cada vez mais inevitável e teve o seu início em Lisboa na madrugada do dia 4 de Outubro de 1910. Esta Foi a primeira grande revolução portuguesa do século XX. O movimento revolucionário republicano começou a partir de pequenos grupos de conspiradores que eram membros do exército e da marinha (oficiais e sargentos), alguns dirigentes civis e muitos populares armados. Apesar de oferecerem alguma resistência e alguns confrontos militares, o exército que defendia a monarquia não conseguiu organizar-se de modo a derrotar os revoltosos. A revolução acabou por dar os seus frutos, uma vez que, os defensores da República saíram vitoriosos.

O dia da revolução

Na manhã de 5 de Outubro de 1910, José Relvas e outros membros  do Partido Republicano Português, instalados na varanda da Câmara Municipal de Lisboa e com milhares de pessoas a assistir, proclamaram a República.
Por outro lado, nesse mesmo dia, o  rei D. Manuel II e acompanhado da sua  família real embarcaram na praia da Ericeira tendo como destino  Gibraltar. Posteriormente, D. Manuel II, o último rei de Portugal dirigiu-se para o seu exílio em Inglaterra. A Monarquia em Portugal tinha assim chegado ao fim.
Os republicanos, após a vitória, e uma vez já no poder, nomearam um governo provisório, presidido pelo Dr. Teófilo Braga, para ficar a tomar conta dos destinos do País, até que os republicanos aprovassem a nova Constituição e fosse eleito o primeiro Presidente da República, que viria a ser Manuel de Arriaga.  



Manuel de Arriga, o 1º presidente eleito pelo povo

Mas era necessário criar rapidamente na população a consciência da mudança e o espírito do regime republicano. Assim, foram aprovados pelo governo provisório os símbolos da República Portuguesa:
- O hino nacional passou a ser "a Portuguesa."


- Adotou-se a bandeira vermelha e verde (que substituiu a azul e branca da Monarquia).




-A moeda passou a ser o escudo em vez do real.



Moeda de um escudo

 Assim, a 5 de outubro de 1910 acabou a Monarquia em Portugal, um regime que tinha como chefe do estado um rei, que governava até à morte e que herdava o trono. Por outro lado, começa uma nova forma de governo, a República, que tem como chefe de estado um presidente, que é eleito por todos os cidadãos para  um mandato limitado no tempo. Na República todos os cidadãos passam a ser  iguais perante a lei, a expressão do pensamento é livre e passa a haver uma separação dos poderes: legislativo, executivo e judicial.

Paulo Sá

sábado, 27 de setembro de 2014

... a propósito da Educação Literária



A Literatura, como repositório de todas as possibilidades históricas da língua, veicula tradições e valores e é, como tal, parte integrante do património nacional; (…)  a Educação Literária contribui para a formação completa do indivíduo e do cidadão. (…) .

                                                                                                                      Buescu, H., Morais, J., Rocha, M. R, & Magalhães, V. F. (2012). Metas curriculares de português, ensino básico. Lisboa: Ministério da Educação, pp. 5-6.



  



domingo, 22 de junho de 2014

NO CAMINHO DA CIÊNCIA

A PUBERDADE...                   


          

                  


                                                                                                    
A adolescência é uma fase de grandes mudanças. Tudo muda. Muda o corpo e muda a mente. Muda a forma de ver o mundo e mudam as relações com a família e os amigos.  É certo que ao longo de toda a vida o indivíduo experimentará mudanças. Entretanto, na adolescência o processo de amadurecimento biológico, psicológico, sexual e social é muito intenso.

                                                                       

 A fase da adolescência inclui diversos aspectos que serão vivenciados por uma pessoa: mudanças físicas marcantes relacionadas com o amadurecimento sexual do indivíduo; estabelecimento de relações de grupo; desenvolvimento de novas responsabilidades; e construção de valores pessoais relacionados ao seu ambiente social.  

A adolescência é um momento de transição que pode ser difícil e custoso porque o adulto que virá ainda "não nasceu" e a criança que existia ainda "não morreu". É neste espaço entre a infância e a vida adulta que o adolescente constrói a sua identidade. 




A puberdade é o período da adolescência no qual se dá o desenvolvimento sexual, juntamente com uma aceleração do crescimento. Neste período ocorrem rápidas alterações na estatura, peso e desenvolvimento sexual. Todo o processo é regulado pelo sistema nervoso de forma ajustada e sincronizada. Na puberdade existe uma ordem de acontecimentos diferentes para os rapazes e para as raparigas. As raparigas tendem a iniciar e a terminar este processo muito antes que os rapazes.   


                                           
A puberdade é o aspecto biológico da adolescência. Na puberdade acontece o desenvolvimento dos testículos nos homens e ovários nas mulheres e desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, que são aqueles que nos permitem diferenciar os homens e as mulheres, tais como o formato do corpo, o desenvolvimento das mamas, o crescimento de pelos e o timbre da voz.

                                                                                                            
O corpo nesta fase está voltado para a produção de hormonas sexuais que são diferentes em cada sexo. Os meninos produzem, entre outros, a testosterona e as meninas o estrógeno.





É possível determinar uma média de idade em que as mudanças acontecem nos corpos dos adolescentes. Alguns adolescentes entram na puberdade muito cedo, outros muito tarde. Existem variações que se podem caracterizar como uma puberdade precoce ou atrasada. Diversos fatores podem levar a tais alterações, entre eles fatores ambientais, situações de stress e intenso desgaste emocional, atividades físicas intensas, algumas substâncias químicas e desnutrição.
Puberdade precoce é o início do desenvolvimento sexual antes dos 8 anos nas meninas e 9 anos nos meninos. Em ambos os sexos pode ocorrer pelos, acne, crescimento acelerado, alteração de comportamento, sendo que nas meninas o primeiro sinal é geralmente o crescimento das mamas e nos meninos o aumento no tamanho dos testículos.
Nos últimos anos, muitas crianças têm apresentado puberdade precoce, gerando grande preocupação nos pais. Os motivos desta antecipação estão em investigação.


                                            
Puberdade atrasada, os adolescentes não desenvolvem características sexuais na faixa etária esperada. A ausência dessas características em meninas, a partir dos 13 anos, e para os meninos, dos 14 em diante, caracteriza um quadro de retardo da puberdade.
Para os que têm um desenvolvimento precoce, as alterações representam uma vantagem, mas, para os que se desenvolvem mais tarde, a ausência de alterações pode ser um problema.


                                             
As comparações entre adolescentes e as opiniões de outras pessoas influenciam imenso a forma como os adolescentes se veem a si mesmos. Quando o desenvolvimento termina, a diferença entre todos é muito menor.


Procura mais informação sobre este tema na Biblioteca da tua escola, o Boletim Bibliográfico seguinte dá-te algumas pistas.
                                                               


Paula Neves