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terça-feira, 28 de março de 2017

A Aia







Prós: A eficácia da sua organização.
Contras: Nenhum.

O conto A Aia, de Eça de Queirós, é uma espécie de presente em forma de livro para qualquer pessoa, pois este está repleto de características ligadas à História.

 Esta narrativa retrata, com expressividade e rigor, o ambiente social da corte na Idade Média onde existiam aias cujo trabalho era educar os filhos do Rei, amando-os e instruindo-os.

Além disso, as lutas entre irmãos eram muito comuns, visto que eles invejavam os herdeiros ao trono real evidenciando ódio e raiva, podendo até levar a pensamentos mais obscuros. Eça de Queirós ilustrou, com muita clareza, dois contrastes neste conto – o ódio e o amor, a cobiça e a lealdade.

Admiro, também, a capacidade descritiva deste escritor evidenciada, por exemplo, ao descrever as diferenças dos bebés - o príncipe e o filho da aia - através do material que compunha os berços que lhes pertenciam.

Em suma, recomendo a leitura deste conto, porque despertou as minhas emoções, mas também pelo seu final controverso, inesperado e humanista.
Daniela Silvano


A Aia
Eça de Queirós
Contos, Porto Editora, 2011

€ 13,99 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Oficina de Escrita

Contextualização histórica do conto A aia de Eça de Queirós


O conto A aia está repleto de características ligadas à História.
Para começar, a história narrada situa-se entre os séculos XII e XIV, épocas onde existiam aias, que cuidavam e educavam os filhos do Rei. Outro aspeto eram as guerras, supostamente contra os mouros, nas famosas cruzadas.

Naquele tempo, as batalhas entre irmãos, (no caso desta narrativa, o Rei e o seu irmão bastardo), eram comuns visto que eles invejavam os herdeiros ao trono. Para tais batalhas, o inimigo do trono real recrutava grandes exércitos para poder tomar o trono.

Já no século XII, existiam distinções entre classes sociais. Nesta história, esta constatação é comprovada pelo material de fabrico dos berços dos bebés, um de marfim, pertencente à casa real, e o outro de verga, pertencente à “classe dos escravos”. Apesar dessa distinção, dormiam as duas crianças no mesmo quarto (ou câmara) e eram amamentados pela mesma pessoa, ou seja, a ama (ou aia).


Como referido anteriormente, os ataques ao trono eram constantes. Neste conto, na sequência da morte do Rei, o reino fica desorientado. O tio bastardo tinha o caminho livre para chegar ao trono, exceto o príncipe. Como norma, para alguém exterior à linha de sucessão ao trono ser Rei, era preciso fazer um atentado à casa Real. Foi o caso deste enredo. Contudo, o que não é normal numa corte é a aia pôr-se no caminho do tio, trocando a vida do seu filho pelo seu príncipe. Isto, se acontecesse, seria motivo de recompensa visto que era uma benfeitoria pelo reino. Foi isso que aconteceu. Foram à câmara dos tesouros, habitual nos palácios da altura, onde guardavam as riquezas e os saques do reino, para recompensar o feito heroico da aia.


Este conto não é só uma narrativa de ficção, mas também a caracterização de um espaço social concreto – o ambiente de corte na Idade Média.


Mário Domingos, nº13, 9ºA